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Professor da Unilago estuda para se aprimorar e aprimorar seu ambiente

16/03/2018 - 08:30

O Mestrado sob a ótica de quem faz

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São muitos os professores da Unilago que não se acomodam na zona de conforto de sua excelência profissional. Muitos seguem atividades paralelas a profissão exercida na Instituição, possuindo empresas próprias, atuando no mercado de trabalho como funcionários ou dando continuidade a sua carreira acadêmica aprofundando seus conhecimentos.

Há 6 anos na Unilago, atuando como professor nos cursos de Letras, Pedagogia, Serviço Social e Educação Física o professor Gláucio Camargos optou por realizar o mestrado.

Leia seu relato:

“O principal motor para a busca pelo aprimoramento com o mestrado foi a paixão pela pesquisa em Linguagem e Cognição: há alguns anos, um dia de manhã, enquanto fazia a caminhada, uma ideia se pendurou dentro da minha cabeça. A ideia era avaliar o processo de construção psíquica em pacientes surdos congênitos, usuários da Língua de Sinais, utilizando o referencial psicanalítico. Na pesquisa buscamos analisar quais são os atravessamentos linguísticos específicos dessa língua na formação de quadros psíquicos e delinear aspecto gerais para a aplicação de psicoterapia em pessoas surdas. Durante dois anos observamos o tratamento de pacientes surdos com o fim de conseguir extratos dessa relação entre seu desenvolvimento psíquico e linguístico. Utilizamos a pesquisa qualitativa, pautada no método clínico, bem como entrevistas abertas e fechadas interpretadas com base na psicoterapia psicodinâmica. O programa de pesquisa foi estruturado integralmente em Língua de Sinais Brasileira. As sessões foram individuais e sistemáticas, visando observar possíveis padrões no desenvolvimento dos processos mentais desses pacientes. Também utilizamos a pesquisa exploratória e etnográfica envolvendo revisão sistemática sobre o tema. Para análise dos dados utilizamos os Mapas e Árvores de Associação de Spink (2010). Todo o programa foi aplicado individualmente pelo pesquisador, proficiente em Libras, após aprovação pelo Comitê de Ética da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - FAMERP, com a orientação do Prof. Dr. Lazslo Antonio Àvila, sob o título "A atuação da palavra no desenvolvimento psicogenético do sujeito surdo e seu atendimento psicoterápico: neurose, plasticidade cerebral e outros abismos"; Àrea de Concentração: Psicologia e Saúde.

Agora, no fim do período abarcado pela pesquisa, não sei o que devo pensar dela.

Entendo que o mestrado cumpre função importante na minha atuação como professor. Na verdade acredito que a atuação como professor é uma consequência, um desdobramento das rotinas de pesquisa. Nas aulas que ministro trabalho com temas que estão presentes nas intervenções da pesquisa e na minha prática diária, isso contribui para o enriquecimento das conteúdos e para os meus processos interiores de organização dos dados: quem ensina aprende o que ensina. Essa articulação entre pesquisa, prática e docência me dá acesso a informações e processos que de outra forma ficariam distantes. Não há nada mais incrível do que o meu trabalho. Em cada momento dele tenho a oportunidade de conhecer pessoas íntegras.

É regra velha, creio eu, que só se faz bem o que se faz com amor. Tem ar de velha de tão justa e popular que me parece. Ver os resultados das intervenções da pesquisa e ter a possibilidade de falar disso em sala de aula me traz reflexões sobre os caminhos, os meus e os de todos os envolvidos nesse processo. Nessas ocasiões meus botões me dizem que na inexperiência dos primeiros anos costumamos presumir muito de nós mesmos: quase nada nos parece complexo ou impossível. Mas o tempo, que é um bom professor, vem diminuir o excesso dessa confiança, deixando só a que é indispensável, e eliminando a outra, a confiança cega e traiçoeira. Com o tempo a reflexão ganha terreno, e eu incluo no tempo a condição da pesquisa (sem ela ficaríamos perpetuamente na caverna...). Aí acontece o contrário do que acontecia antes: quanto mais estudamos os modelos, analisamos os fatos, entendemos a extensão da responsabilidade, mais nos sentimos menores. Eu cheguei nesse tempo, cada dia que passa me faz conhecer melhor o campo dessas sensações e mais difícil fica de arrematar a consciência.

Esse trabalho deve muito a conversas que tive com professores e amigos que também atuam na Unilago, em parceria de estrada que, para minha alegria, foi se consolidando em amizade sincera ao longo desses anos todos. Agradeço por ter conhecido essas pessoas, professores e amigos da alma, que cruzam meu caminho pelos corredores da faculdade e entendem o sentido do que escrevo aqui. Olho para as pessoas desse meu círculo e penso que o espírito existe nele deve ter existido no espaço desde o princípio dos tempos, coexistiu com o caos. Se soltou da confusão das coisas e ficou no espaço, esperando que esse grupo nascesse. O grupo nasceu e o espírito penetrou nele, até explodir na amizade e no trabalho que temos feito hoje. Sou grato à presença com que cada um tem me animado.


Gláucio Camargos é Mestrando em psicologia pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - FAMERP; possui formação em Psicanálise e Pós-Graduação em Psicanálise Clínica. Graduado em Pedagogia, possui também certificado de proficiência em Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina - MEC/UFSC, Especialista em Libras - Língua Brasileira de Sinais. É Professor Titular da União das Faculdades dos Grandes Lagos - UNILAGO. Tem experiência nas áreas de Educação Especial e Psicanálise, atuando principalmente nos seguintes temas: Surdez; Linguagem e Cognição; Língua de Sinais e Plasticidade Cerebral.

PS: A defesa apresentada a banca examinadora no dia 12 de Março de 2018 aprovou o professor Gláucio com o título de Mestre. A Unilago reverência seus esforços e parabeniza pela conquista.

Assessoria de Comunicação Unilago

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